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Archive for the ‘asides’ Category

Há quase dez anos quando viajava com minha irmã pelo Chile resolvemos cruzar a fronteira para a Argentina indo parar em Bariloche.  Logo ao chegar, os contrastes: os argentinos falavam com a gente na rua, lojas, cafés e faziam a maior festa com as “chicas de Brasil”.  Nós entendíamos sua versão do castelhano com muito mais facilidade e também a cultura.

Ficamos positivamente impressionadas pela beleza e receptividade dos hermanos e, em um dado momento, respirei fundo e disse:  “Eu gosto dos argentinos.  Pronto, falei!”  marcando a admissão de um gostar supostamente inusitado, descabido e inconfessável.

Minha irmã riu muito e registrou a frase em um caderninho em que anotou eventos memoráveis da viagem.

Com o passar dos anos o meu gostar se aprofundou.  Saiu da simpatia, passou por paixões,  engatou no tango, buscou a literatura, o cinema, a música…  e se tornou tão público que deixou o “pronto falei” desnecessário, ainda que lembrar da minha antiga confissão ainda me divirta.

Hoje, de volta de Buenos Aires mais uma vez,  expresso de novo o meu gostar  um pouco demasiado e imprudente da Argentina, dos argentinos, e das suas manifestações calorosas.

Gosto, dizem, não se discute, ainda que há quem fale que se lamente… confundindo a palavra gostar com tantas outras palavras fiz acertos mas também muitos erros de fato lastimáveis; superestimei e subestimei sentimentos e julguei mal certos afetos e atos.  Confusão esta que assumo como minha e que é parte da história dos três tangos, que remete (é claro)  à Argentina, da qual gosto tão claramente.

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Três

The existence of this blog – 3 tangos – has prompted a very dear friend of mine to point me to Adrina Calcanhotto’s version of the song “três”, composed by Marina Lima and Antonio Cícero.

I loved the song and I think the lyrics fit the story I want to tell. Before I start the stories, “três” follows – the lyrics (in Portuguese) and a link for a youtube video in which Adriana performs the song.

“Três” (Marina Lima / Antonio Cicero)

Um
Foi grande o meu amor
Não sei o que me deu
Quem inventou fui eu
Fiz de você o Sol
Da noite primordial
E o mundo fora nós
Se resumia a tédio e pó
Quando em você tudo se complicou

Dois
Se você quer amar
Não basta um só amor
Não sei como explicar
Um só sempre é demais
Pra seres como nós
Sujeitos a jogar
As fichas todas de uma vez
Sem temer, naufragar

Não há lugar pra lamúrias
Essas não caem bem
Não há lugar pra calunias
Mas por que não
Nos reinventar

Três
Eu quero tudo que há
O mundo e seu amor
Não quero ter que optar
Quero poder partir
Quero poder ficar
Poder fantasiar
Sem nexo e em qualquer lugar
Com seu sexo junto ao mar..

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